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Crescem demanda e oferta de produtos de limpeza sustentáveis

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Eficiência necessariamente deverá ser aliada à redução de impactos e transparência

Por Estela Mendonça

“Até 2025, produtos que não afirmarem fazer melhor para o mundo de algum modo cairão no esquecimento”. Não é uma profecia, mas um trecho do estudo da Mintel que aborda sustentabilidade para produtos e marcas de home care. As questões relacionadas a embalagens, ingredientes com menor impacto negativo e justiça social serão cada vez mais importantes para os consumidores.  “As marcas de home care deverão fazer uma diferença na vida das pessoas e do meio ambiente”.

Segundo o estudo, embora existam muitas marcas que já tenham nascido com propósitos de sustentabilidade bem arraigados, as grandes marcas também precisarão corresponder a essa forte demanda, o que inclui esforços para consolidar suas iniciativas de sustentabilidade e a transparência em relação à origem de seus ingredientes ao longo de toda a cadeia. A Mintel lembra que os consumidores estão se tornando mais espertos para perceber táticas de greenwashing.

Outro levantamento da Mintel aponta que os lançamentos globais de cuidados para o lar com base na sustentabilidade cresceram mais de 51,8% nos últimos 10 anos.

Limpeza profissional

A maior demanda de produtos de limpeza sustentáveis também se estende à limpeza profissional. Os resultados de uma pesquisa realizada pela Factor-Kline nos Estados Unidos em março com cerca de 1,1 mil profissionais de limpeza indicam que produtos de limpeza ecológicos são importantes e valorizados.

Para 69% dos entrevistados, os produtos de limpeza sustentáveis são tão ou mais eficazes que os produtos tradicionais. Além disso, 48% disseram estar dispostos a pagar até 20% a mais por produtos de limpeza ecológicos, em comparação com produtos tradicionais. “Parece haver maior disposição para pagar a mais por produtos de limpeza sustentáveis entre usuários finais de educação, governo, serviços de alimentação e hotelaria”, conclui a pesquisa.

A pesquisa também mostrou que 59% confiam em certificações ecológicas em embalagens ou sites para identificar produtos de limpeza ecológicos, enquanto uma importância significativamente menor é dada a marcas, imagens, anúncios ou promoções. “Esses resultados são de longe os mais prevalentes em produtos sustentáveis que vimos. Esses recursos passaram de complementares a essenciais para muitos profissionais de limpeza”, afirma o relatório da pesquisa.

De acordo com a pesquisa Lifestyle Survey da Euromonitor International de 2019, 60% dos consumidores estão preocupados com as mudanças climáticas e 54% acham que podem fazer uma contribuição positiva ao mundo com suas compras. Com o crescimento da conscientização ambiental, os consumidores procuram produtos alternativos e ecologicamente corretos.

Movimento cresce

Há alguns anos vem aumentando o número marcas com apelos de naturalidade e sustentabilidade. A Biowash foi uma das pioneiras no mercado brasileiro. Seu primeiro produto livre de petroquímicos foi lançado em 1994. Os produtos são desenvolvidos com matérias-primas vegetais e biodegradáveis.

Fundada em 2016, a Positiv.a se colocou no mercado para oferecer uma linha de produtos de limpeza naturais, ecológicos, hipoalergênicos e biodegradáveis, com base 100% vegetal e que seguem princípios da economia circular, bem como o apoio à agricultura familiar consagrou ainda mais a importância desse segmento nos dias de hoje. A marca garante que a biodegradação dos produtos ocorre em até no máximo 28 dias.

Além de uma linha de produtos de limpeza de produtos naturais, a marca YVY inovou com desinfetantes, lava-roupas, lava-louças, e limpadores vendidos em cápsulas plásticas retornáveis e borrifadores de uso permanente. A empresa garante que não faz uso de nenhum componente químico sintético ou petroquímico e que seus produtos contribuem o meio ambiente e para a saúde das pessoas.

Inicialmente voltada ao segmento industrial e institucional, a BioZ Green lançou em 2014 uma linha natural e certificada voltada à limpeza doméstica. Os produtos não contêm petroquímicos e as bases são vegetais, entre elas o óleo de coco. O portfólio da empresa inclui limpadores, lava-roupas, lava-louças e outros itens.

Grandes na disputa

No ano passado, a Unilever passou a comercializar no Brasil a linha de produtos sustentáveis para limpeza da marca Sétima Geração. Criada há trinta anos, em Vermont, nos Estados Unidos, a marca foi adquirida pela multinacional em 2016, com o objetivo de expandi-la para novos países.  As fórmulas são biodegradáveis à base de plantas, com 0% ativos petroquímicos e corantes. Com fragrância 100% natural, vinda de óleos essenciais e extratos botânicos.

Eduardo Campanella, vice-presidente de marketing da Unilever

“O objetivo é oferecer para os brasileiros produtos de limpeza com ingredientes renováveis, à base de plantas e com alta performance”, disse Eduardo Campanella, vice-presidente de marketing da Unilever. O lançamento local também está atrelado ao plano de sustentabilidade da Unilever, com premissas como reduzir pela metade o impacto ambiental dos produtos até 2030. Em 2018, as marcas sustentáveis da companhia cresceram 69% mais rápido que o restante do negócio. Em 2017, cresceram 46%.

A Reckitt Benckiser também lançou no ano passado nos Estados Unidos a linha VEO Active-Probiotics Surface Cleaner, desenvolvida com surfactantes de base biológica e probióticos ativos, que promete biodegradar a sujeira e a contribuir para o equilíbrio do microbioma doméstico, levando a um ambiente doméstico ideal. “Com a pesquisa do consumidor, identificamos uma forte necessidade do consumidor por novos produtos naturais e que proporcionam um alto nível de eficácia”, afirmou Jeremy Edelman, gerente de marca da VEO, por ocasião do lançamento.

Surfactantes 100% de base biológica

Para atender à crescente demanda dos consumidores por produtos sustentáveis e de fonte renovável, nos últimos anos, a indústria vem utilizando ingredientes “mais ecológicos” não etoxilados, mas o desempenho tem se mostrado inferior aos etoxilados tradicionais. Por isso, a Croda fez um investimento significativo na primeira planta dos EUA a produzir óxido de etileno (OE) de base biológica, em Atlas Point, Delaware, EUA, o que permitiu lançar a nova linha ECO de surfactantes de base 100% biológica.

Planta da Croda de OE de base biológica, em Atlas Point, Delaware, EUA

Lygia Bruni, coordenadora de marketing na América Latina da Croda

De acordo com Lygia Bruni, coordenadora de Marketing na América Latina, a nova linha Eco é uma virada de página: “Estamos substituindo a tecnologia de fonte petroquímica por uma de origem biológica, sem perder performance. Agora, é possível formular com surfactantes 100% renováveis, sem sacrificar o desempenho do produto e atingir as metas de sustentabilidade que estão cada vez mais exigentes”.

Segundo Davi Pugliese, gerente de vendas para Home Care na América Latina, a linha ECO oferece valor e diversos benefícios renováveis aos clientes. “Os formuladores não só poderão substituir os análogos não iônicos à base de petroquímicos, sem sacrificar o desempenho, como também poderão substituir as alternativas ‘naturais’ e menos eficazes do mercado”. O executivo explica que o grande desafio para os fabricantes é que o OE de petróleo limita o conteúdo renovável. Além disso, mesmo com o álcool graxo de origem natural, o conteúdo renovável pode ser baixo.

Inovação sustentável

Davi Pugliese, gerente de vendas para Home Care na América Latina

Pugliese destaca que a linha é composta por mais de 50 itens produzidos com etanol de biomassa. A combinação do uso do OE de base biológica com a alta proporção de energia renovável usada na planta de produção resulta em uma redução significativa da pegada de carbono da linha de produtos ECO.

De acordo com Pugliese, a matéria-prima de biomassa para óxido de etileno de base 100% biológica é reconhecida pela EPA Safer Choice por biodegradabilidade e baixa toxicidade. Já o óleo de palma que é utilizado na Linha ECO também é sustentável com certificação RSPO Supply Chain. Além disso, todos os itens da linha são registrados no programa USDA BioPreferred®, permitindo que os produtos dos clientes também tenham essa certificação.

Formas de produção de óxido de etileno de base biológica e de petróleo

A nova linha ECO abrange uma ampla gama de aplicações para o mercado de Home Care, incluindo limpeza de superfícies, detergente líquido para tecidos, acabamentos em TNT (non-wovens), limpeza industrial e institucional, cuidados com o ar e muitas outras.

Richard Pino, vice-presidente de vendas e marketing da América Latina

Acelerar a transição para produtos de base biológica, deixando de usar matérias-primas de origens fóssil/petroquímica faz parte do compromisso da Croda para 2030 de gerar impacto positivo no clima, no solo e em pessoas. “Nosso objetivo é sermos o fornecedor mais sustentável de ingredientes inovadores. Nós ajudaremos a encontrar soluções para alguns dos maiores desafios mundiais nas próximas décadas, deixando um legado positivo para as futuras gerações. O nosso compromisso vai além da responsabilidade corporativa, é fazer o que é certo, afirma Richard Pino, vice-presidente de vendas e marketing da América Latina.

O que muda com a pandemia?

Antes da pandemia, um estudo da Nielsen mostrou que 74% dos millennials dos EUA têm mais chances de comprar marcas que apoiam questões sociais de que se preocupam. Para Julia Wilson, VP global de responsabilidade e sustentabilidade da empresa de pesquisas, agora na pandemia, é a hora de as marcas garantirem que estão fazendo todo o possível para tranquilizar seus consumidores, “de maneira autêntica e significativa”, sobre a eficácia de seus produtos.

Ela avalia que a pandemia testará muitas marcas e se elas reagirem de maneira socialmente responsável e sustentável, terão implicações significativas, não apenas em seus próprios negócios, mas nas comunidades. As marcas podem se posicionar apoiando os consumidores na crise de curto prazo, enquanto também atuam como uma ponte para o que vem a seguir, aumentando seus vínculos ao longo do tempo. “Não importa o momento, quando as marcas conseguem fazer a conexão entre o que é saudável para o consumidor e o que é saudável para o mundo, é que vimos resultados sustentáveis de vendas e de lealdade à marca crescerem”, completa.

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