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Venda disparou, mas ganho está mais difícil, diz Ypê

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Química Amparo prevê expansão no Nordeste e investe em nova fábrica

Segunda maior empresa de produtos de limpeza no Brasil, a paulista Química Amparo, dona das marcas Ypê, Assolan e Perfex, experimentou em 2020 um ambiente de aumento de demanda e produção ainda não observado ao longo de seus 70 anos. Reflexos da covid-19. Mas em proporção também expressiva, a companhia precisou lidar com aumento de preços e falta de insumos, desvalorização cambial de 40% e gargalos logísticos, conforme a atividade econômica parava e retomava em diferentes pontos do país.

“Foi interessante o mercado crescer, mas trouxe o grande desafio de se manter abastecido. Este ano foi de colocar o propósito da empresa em prática”, diz Waldir Beira Jr., filho do fundador e presidente da Química Amparo há 22 anos. “Conseguimos entregar nossas metas do ano com o trabalho de encontrar, continuamente, alternativas para não perder produção e nem volume. Resultados financeiros, no entanto, estão mais difíceis.”

Para manter o abastecimento no varejo, foi preciso, por exemplo, garantir refeições aos caminhoneiros, já que vários serviços ficaram fechados nos momentos mais críticos da pandemia. “Os caminhoneiros não tinham postos de serviço, não tinham onde se alimentar. A gente começou a servir refeição a eles.” Em cinco meses, a empresa entregou 12.375 refeições em Amparo (SP) a caminhoneiros que iam buscar mercadorias.

Outra iniciativa para se adaptar ao cenário foi converter uma das linhas de produção de detergente líquido para fabricar álcool em gel, que foi doado a hospitais e instituições sociais. Mas o espessante mais comumente utilizado nesse produto estava em falta no mercado. A equipe de pesquisa e inovação e os fornecedores trabalharam juntos para encontrar outro ingrediente que garantisse viscosidade ao produto final. Hoje, a empresa contabiliza 3,3 milhões de unidades produzidas. O álcool em gel também passou a integrar, este mês, o portfólio da Ypê.

Situações como essas, relata Beira Jr., são parte do dia a dia dos empresários, que têm precisado lidar com uma espécie de equilíbrio de pratos. No caso do setor de limpeza, mais da metade dos insumos têm seus preços atrelados ao dólar, que se valorizou 40% ante o real ao fim do terceiro trimestre. O presidente da empresa lista alguns dos itens com pouca oferta e preços elevados: o sebo bovino, cujo preço saltou mais de 100% com a maior demanda do biodiesel; o óleo de soja, que ficou 80% mais caro; o óleo de palma, também com preços 60% maiores; e o papelão, utilizado em embalagens, e a espuma, utilizada para a produção das esponjas, que passaram a ter períodos de reposição mais espaçados.

Diante da escassez e do reajuste de alguns insumos, o presidente da Química Amparo diz que a indústria precisa absorver os impactos do desequilíbrio do mercado causado pela pandemia, sem repasse integral aos preços ao consumidor, mas acredita em melhora a partir de 2021. “Com a questão do desemprego e da crise econômica, não faz sentido repassar todos os preços. Seria um repasse absurdo. Pretendemos segurar o máximo possível, esperando um retorno dos preços a níveis mais módicos para não ter que fazer um novo reajuste ou para que ele seja mínimo.”

Por causa da carestia, Beira Jr. avalia não ser possível cravar uma aumento de participação de mercado da companhia, mesmo com um crescimento das vendas em volume superior ao do setor como um todo. A estimativa da consultoria Euromonitor é de que o ritmo de crescimento anual composto (CAGR, na sigla em inglês) do setor seja de 3,2% até 2024, alcançando os R$ 30,4 bilhões. A Abipla, associação que representa o setor, também prevê crescimento do faturamento de pelo menos 3% neste ano.

Marca mais conhecida da empresa, a Ypê foi, em 2019, a primeira em participação no mercado brasileiro de limpeza doméstica, com uma fatia de 14,3%, segundo a Euromonitor. Se considerado o grupo inteiro e não as marcas sozinhas, a Química Amparo ocupa o segundo lugar, com 14,7%. Em primeiro está a multinacional Unilever, com 25,9%. No ano passado, o mercado brasileiro de produtos de limpeza movimentou R$ 26 bilhões.

Parte da estratégia da Química Amparo para abocanhar uma fatia maior desse total passa, agora, pela expansão nas regiões Norte e Nordeste. No começo deste ano, mesmo com as incertezas da pandemia, a empresa iniciou as obras daquela que será sua sexta fábrica no país, em Itapissuma (PE), com investimento de R$ 300 milhões. “É um mercado que estimamos que crescerá a taxas maiores do que as do Brasil, porque alguns produtos ainda não têm nível de penetração iguais ao do Sul e Sudeste. Então vemos um potencial de mercado maior.” A região também está no radar das rivais. No último mês, a Unilever lançou uma fragrância exclusiva de seu amaciante diluído Fofo para o mercado nordestino.

A nova fábrica também reflete o jeito de Beira Jr. de comandar a Química Amparo. Único da família na direção executiva desde que o pai faleceu em 1998 (os irmãos Jorge e Ricardo e a mãe Ana Maria atuam no conselho da companhia), ele promoveu a expansão dos negócios. Nas últimas duas décadas, a empresa comprou a marca Atol e sua fábrica em Simões Filho (BA), a Perfex e Assolan e sua fábrica em Goiânia (GO). Hoje, além dessas duas unidades, a empresa mantém a matriz em Amparo (SP), uma unidade em Salto (SP) e outra em Anápolis (GO).

Confiante no desenvolvimento de vacinas para a covid-19, o empresário acredita que o começo de 2021 já permitirá observar um alívio nos custos de muitos insumos com o reequilíbrio das cadeias de produção, enquanto a economia mostrará sinais de melhora. “Também acreditamos que o Brasil vai dar conta de endereçar algum desses temas que estão sendo discutidos, como as reformas, e que possa aliviar alguma pressão sobre o câmbio.”

O setor industrial responde pela maior pressão inflacionária no ano, uma vez que o mercado de serviços ainda se recupera. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou em outubro para 3,92% no acumulado dos últimos doze meses. Enquanto as atividades não voltarem ao normal, Beira Jr. diz não ser possível ter uma “dimensão correta” de qual será o patamar de inflação, mas mantém uma visão otimista. “O governo vinha bem. Pegou o país em uma situação difícil, estava endereçando alguns temas importantes e estávamos tendo recuperação do emprego. A pandemia parou tudo, mas, passando esse período, as coisas devem se estabilizar.”

 

 

 

 

 

 

Fonte: Valor Econômico 16.11.2020 

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