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Químicos e infectologistas discordam sobre desinfecção de ambientes e superfícies

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Em meio às discussões sobre os cuidados necessários para conter a transmissão pelo coronavírus, grupos têm criticado o que chamam de “teatro da pandemia”, que seria a desinfecção de ruas, espaços coletivos e superfícies, como embalagens de produtos. Quem nunca chegou do mercado e foi dar banho de álcool nas compras antes de armazená-las?

Para o Conselho Federal de Química (CFQ), essas medidas devem continuar. A entidade ressalta que não há evidências suficientes para descartar o contágio por superfícies, portanto, os cuidados precisam ser mantidos. Porém, consultada, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) não mantém um posicionamento similar.

“Desde o início da pandemia, temos recomendado que haja distanciamento social, cuidados higiênicos e a questão da limpeza é importante porque não temos estatística de quantas pessoas se contaminaram pela proximidade com pessoas e quantas se contaminaram por contato com uma superfície”, pondera Wagner Contrera, membro de CFQ, em entrevista ao Bahia Notícias.

Por isso, em nome do conselho, ele defende que “qualquer medida no sentido de prevenir é sempre bem-vinda”, afinal, mesmo que o percentual de contaminação por superfícies seja pequeno, “tudo que possa minimizar as chances de contaminação é válido”. Esse também é o entendimento seguido pelos gestores públicos. Em Salvador, por exemplo, a desinfecção das ruas faz parte das “medidas de proteção à vida” executadas nos bairros.

É uma posição contrária aos críticos dessas medidas que defendem não haver comprovação de infecção por coronavírus por meio de superfície contaminada. Texto publicado pelo El País na última semana fala justamente disso, ao citar um artigo na renomada revista científica Nature para ressaltar que o Sars-CoV-2 “se transmite predominantemente através do ar”. Segundo o jornal, o artigo aponta que a desinfecção permanente de superfícies deixa “uma mensagem pública confusa, quando é necessário um guia claro sobre como priorizar os esforços para prevenir a propagação do vírus”.

Ainda assim, Contrera contrapõe esse argumento ao lembrar que ainda há muitos negacionistas da pandemia. Neste sentido, a posição do conselho é firme para que todos os meios de proteção sejam mantidos.

A única ponderação que ele traz é quanto à escolha dos produtos de limpeza, que se vendem como “milagrosos” e prometem eficácia e duração por 30 dias, por exemplo. “A gente não pode se render a propagandas oportunistas, que tentam se aproveitar do momento, tentam se favorecer e prevalecer até monetariamente”, disse o conselheiro.

SBI dicorda

O médico Antônio Bandeira, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), avalia de forma diferente. Para ele, não faz sentido o desespero em ficar desinfetando sacolas, objetos e ambientes, já que as transmissões do novo coronavírus se dão principalmente pelas vias respiratórias.

“Hoje, essa questão da transmissão através de ambientes é extremamente secundária, se efetivamente ela ocorre. Ninguém até agora comprovou que essa transmissão é viável. Então, o que a gente sabe é que o coronavírus consegue sobreviver em superfície, mas isso não quer dizer que ele se transmita através dessas superfícies”, disse o infectologista, em entrevista ao Bahia Notícias.

Bandeira afirma que a principal chance de transmissão do novo coronavírus é através da respiração, possibilidade que pode ser diminuída através do uso de máscaras de proteção, como a PFF-2.

“A verdade é que o coronavírus não penetra na pele. Ele precisa chegar a receptores do nariz. E chegar de forma viável. E a forma mais viável é através das gotículas respiratórias exaladas com intensidade quando um indivíduo fala, tosse ou espirra. Então as vias respiratórias, sem dúvida nenhuma, são as grandes responsáveis pelas contaminações”, explicou.

O membro diretor da SBI também defendeu que a higienização das mãos continua sendo uma forma eficiente de prevenir a contaminação pelo novo coronavírus. Caso a pessoa faça contato com alguma superfície contaminada, lavar corretamente as mãos evitará a infecção.

“Mesmo que você esteja em um tonel cheio de coronavírus, para você se contaminar, você tem que levar a mão à boca, aos olhos ou ao nariz. Se você higieniza suas mãos, você impede completamente de se contaminar. Então a higienização das mãos é o meio que previne completamente essa forma de transmissão por contato”, definiu.

“Não tem que haver nenhum desespero em ficar desinfetando superfícies e gastando dinheiro com isso”, finalizou Bandeira.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Bahia Notícias 31.03.2021

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