Oferta pela companhia alemã pode ampliar a escala e o portfólio da BASF, mas as negociações seguem sem acordo.
A BASF apresentou uma proposta para adquirir a também alemã Evonik Industries, em um movimento que poderia resultar em uma das principais operações recentes de consolidação da indústria química europeia. A abordagem foi feita à administração da Evonik e à RAG-Stiftung, fundação que detém cerca de 44% da companhia.
Segundo informações publicadas pelo Financial Times, a proposta apresentada pela BASF foi de aproximadamente € 10,3 bilhões, chegando a cerca de € 14 bilhões quando considerada a dívida. A oferta, entretanto, foi rejeitada pela Evonik, e não há confirmação de que uma nova proposta será apresentada.
A possível combinação aproximaria dois importantes fornecedores da indústria química europeia. A BASF mantém um portfólio diversificado de matérias-primas e especialidades, enquanto a Evonik possui atuação relevante em químicos especiais, incluindo ingredientes e tecnologias destinados a diferentes mercados industriais.
Para setores como beleza e cuidados pessoais, uma eventual transação também seria relevante pela presença das duas companhias na cadeia de fornecimento de ingredientes e soluções para formulações. A Evonik, por exemplo, mantém negócios especializados em ingredientes para personal care, enquanto a BASF atende fabricantes de cosméticos por meio de seu portfólio de soluções para a indústria.
Sobreposição de negócios pode gerar sinergias
Uma das principais razões avaliadas para uma eventual combinação está na complementaridade e na sobreposição de partes dos portfólios. Segundo análise do Deutsche Bank citada pelo Financial Times, áreas nas quais as empresas fabricam produtos semelhantes ou mantêm relações entre matérias-primas e produtos subsequentes representam cerca de um terço das vendas da BASF e dois terços das receitas da Evonik.
A operação também ocorreria em um período de reestruturação da indústria química europeia, pressionada por custos de produção, concorrência internacional e ajustes de capacidade.
Tanto BASF quanto Evonik vêm realizando mudanças em suas estruturas e portfólios. Uma eventual aquisição, portanto, poderia proporcionar ganhos de escala e integração de operações, embora também estivesse sujeita à análise das autoridades concorrenciais.
Negociação permanece indefinida
A RAG-Stiftung ocupa posição central em qualquer eventual negociação por deter uma participação relevante na Evonik. A rejeição da proposta inicial mostra que, até o momento, não existe acordo de aquisição entre as empresas.
O Financial Times observou posteriormente que a BASF poderia ter espaço financeiro para elevar sua oferta, considerando possíveis sinergias decorrentes da combinação. Essa possibilidade, porém, corresponde a uma análise do jornal e não à confirmação de uma nova proposta pela companhia.
Assim, o movimento permanece em estágio de negociação e deve ser tratado como uma tentativa de aquisição, e não como uma operação concluída.
Fonte: Investing.com


